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quarta-feira, 14 de abril de 2010


Telescópio capta espectro luminoso de planeta fora do Sistema Solar

Uma equipe de astrônomos conseguiu captar diretamente o espectro luminoso de um exoplaneta gigante, fonte de informação sobre a composição química de sua atmosfera, graças ao VLT (Very Large Telescope) de Paranal (Chile), informou nesta quarta-feira um comunicado do Observatório Europeu Austral.
Ao observar um sistema de três exoplanetas, situados a 130 anos-luz da Terra, Markus Janson, da Universidade de Toronto, e seus colegas puderam obter o espectro de um planeta dez vezes mais maciço do que Júpiter e que gira em torno da estrela HR 8799.
ESO
Montagem mostra a jovem estrela HR 8799 (esquerda), orbitada por planetas fora do nosso Sistema Solar, e o espectro luminoso captado pelo telescópio europeu VLT (Very Large Telescope), no Chile
"O espectro proporciona informações essenciais sobre os elementos químicos da atmosfera do planeta", explicou Janson, principal autor de um artigo sobre a descoberta publicada pela revista Astrophysical Journal.
"Com esta informação, podemos compreender melhor como se formou o planeta e, no futuro, poderemos, inclusive, ser capazes de encontrar sinais reveladores de vida", precisou Janson no comunicado.
Muitos astrônomos esperam descobrir planetas irmãos da Terra em outros pontos do universo.
A temperatura da superfície do exoplaneta gigante estudado alcança os 800°C, indicou Carolina Bergfors, do Instituto Max-Planck de Heidelberg, Alemanha, que também faz parte da equipe.
Esse exoplaneta e seus dois pares, que giram em torno da mesma estrela, foram descobertos em 2008 por outra equipe de cientistas.
Seu espectro pode ser obtido graças ao telescópio VLT, situado no Monte Paranal (Chile), e a seu instrumento de raio infravermelhos Naco.
"Esta é a primeira vez que é obtido diretamente da Terra o espectro de um exoplaneta que gira em torno de uma estrela normal, comparável ao Sol", enfatizou o Observatório Europeu Austral.
Até agora, para obter um espectro, era necessário que um telescópio espacial observasse o exoplaneta quando este passasse por trás de sua estrela.
Comparando a luz recebida antes, quando a estrela e o planeta eram visíveis, e captada quando o planeta era ocultado pela estrela, os astrônomos podiam deduzir o espectro próprio do planeta, um método aplicável "somente a uma pequena parte" dos planetas extrassolares, segundo o Observatório.
A equipe de Markus Janson mediu diretamente o espectro luminoso do exoplaneta HR 8799c, situado aproximadamente 38 vezes mais longe de sua estrela do que a Terra do Sol.
"É como tentar ver de que é feita uma vela observando-a a dois quilômetros de distância no momento em que está muito perto de um foco de 300 watts de luz cegante", explicou Janson.

Astrônomos dizem que planetas habitáveis devem ser encontrados em até 5 anos


Astrônomos dizem que estão prestes a encontrar planetas como a Terra orbitando outras estrelas, um passo-chave para determinar se nós estamos sozinhos no Universo.
da Associated Press, em Washington
Um importante oficial da Nasa (agência espacial norte-americana) e outros importantes cientistas dizem que, dentro de quatro ou cinco anos, eles devem descobrir o primeiro planeta similar à Terra onde a vida poderia se desenvolver, ou já se desenvolveu.
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Um planeta com o tamanho próximo ao da Terra pode até mesmo ser encontrado neste ano se vestígios preliminares de um novo telescópio espacial se confirmarem.
Na conferência anual da Sociedade Astronômica Norte-Americana, que acontece nesta semana, cada descoberta envolvendo os assim chamados "exoplanetas", aqueles planetas de fora do nosso Sistema Solar, apontam para a mesma conclusão: planetas como a Terra, em que a vida pode se desenvolver, são provavelmente abundantes, apesar do violento Universo de estrelas explosivas, buracos negros esmagadores e galáxias em colisão.
Kepler, o novo telescópio da Nasa, e uma riqueza de novas pesquisas no repentinamente quente e competitivo campo dos exoplanetas gerou discussões notáveis na conferência.
AP/Nasa
Concepção artística de como poderia ser um planeta habitável como a Terra, que pode ser encontrado em 5 anos
Concepção artística de como poderia ser um planeta habitável como a Terra, que pode ser encontrado em 5 anos
Sozinhos?
Cientistas falam sobre estar em um "ponto especialmente incrível na História", próximos de responder uma questão que perseguiu a humanidade desde o início da civilização.
"A pergunta fundamental é: Nós estamos sozinhos? Pela primeira vez, há otimismo de que, em algum momento de nosso tempo de vida, vamos conseguir responder esta questão." É o que diz Simon "Pete" Worden, astrônomo que lidera o Centro de Pesquisas Ames da Nasa. "Se eu fosse de apostar, e eu sou, apostaria que nós não estamos sozinhos, que há muita vida [pelo Universo]", completa ele.
Até mesmo a Igreja Católica organizou conferências científicas sobre a possibilidade de vida extraterrestre, incluindo um encontro em novembro passado. "Estas são grandes questões que refletem sobre o significado da raça humana no Universo", disse o diretor do Observatório do Vaticano, o reverendo Jose Funes, durante a conferência desta semana.
Worden disse à Associated Press: "Eu certamente esperaria que, nos próximos quatro ou cinco anos, encontremos um planeta do tamanho da Terra em uma zona habitável."
Caça-planetas
AP/Nasa
Concepção artística fornecida pela Nasa mostra o telescópio espacial Kepler
Concepção artística fornecida pela Nasa mostra o telescópio espacial Kepler
O centro de pesquisas do cientista é responsável pelo telescópio Kepler, que está fazendo um intenso censo planetário de uma pequena parte da galáxia. Diferentemente do telescópio espacial Hubble, que é um instrumento genérico, o Kepler é especializado em busca de planetas.
Seu único instrumento é um sensor que verifica a luminosidade de mais de 100 mil estrelas ao mesmo tempo, atento a qualquer coisa que bloqueie essa luz. Isso frequentemente significa um planeta passando em frente à estrela.
Qualquer planeta que pudesse suportar vida seria quase com certeza rochoso, ao invés de gasoso. E precisa estar no local certo. Planetas muito próximos de uma estrela serão muito quentes também, e aqueles muito distantes são muito frios. "Em cada lugar que procuramos, encontramos um planeta", diz Scott Gaudi, astrônomo da Universidade de Empire State. "Eles aparecem em todo tipo de ambiente, todo tipo de lugar."
Os pesquisadores estão encontrando exoplanetas em uma velocidade muito grande. Nos anos de 1990, eles encontravam cerca de um par de novos planetas por ano. Mas por quase toda a última década, já se chegou a um par desses planetas por mês. E neste ano, os planetas estão sendo encontrados em uma base diária, graças ao telescópio Kepler.
O número de exoplanetas descobertos já passou bem dos 400. Mas nenhum deles tem os componentes certos para a vida. Isso está para mudar, dizem os especialistas. "Com o Kepler, nós temos fortes indicações de planetas menores em grande quantidade, mas eles ainda não foram verificados", diz Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Ele é um dos "pais" da área de estudos para a caça a planetas e um cientista do telescópio Kepler.
No entanto, há uma grande dificuldade. A maioria dos primeiros candidatos a exoplanetas encontrados pelo telescópio Kepler estão agora sendo identificados como outra coisa. Ao invés de planetas, por exemplo, percebeu-se, que eram na verdade uma estrela cruzando o ponto de vista do telescópio, diz Bill Borucki, um dos mais importantes cientistas do Kepler.
Alvos
AP/Nasa
Imagem do telescópio Kepler mostra espaço em que se buscam planetas similares à Terra
Imagem do telescópio Kepler mostra espaço em que se buscam planetas similares à Terra
O Kepler se concentra em uma região equivalente a por volta de 0,25% do céu noturno, explorando mais de 100 mil estrelas. Suas distâncias vão de algumas centenas a milhares de anos-luz de distância. Assim, esses planetas são muito distantes para se chegar em viagens, e não podem ser vistos diretamente como os planetas de nosso Sistema Solar.
Se houver um objeto como a Terra na área em que o Kepler está investigando, o telescópio vai encontrá-lo, diz Marcy. Mas pode levar três anos para confirmar a trajetória orbital do planeta.
O que o Kepler confirmou por enquanto continua apontando para a ideia de que há muitas outras "Terras". Antes do Kepler, esses corpos eram muito pequenos para serem vistos.
Borucki, nesta semana, anunciou a descoberta de cinco novosexoplanetas, todos encontrados nas primeiras seis semanas de busca. Mas todos eles são muito grandes e no lugar errado para serem como a Terra.
Quando o telescópio Kepler olhou para as 43 mil estrelas que são quase do mesmo tamanho de nosso Sol, os cientistas descobriram que praticamente dois terços delas parecem ser tão "amigáveis e não-violentas" para a vida quanto essa nossa mais próxima estrela.
ESO/AP
Corot-7b, em concepção artística; 1º planeta rochoso extrassolar encontrado, ele é muito quente, pela proximidade com sua estrela
Corot-7b, em concepção artística; 1º planeta rochoso extrassolar encontrado, ele é muito quente, pela proximidade com sua estrela
Marcy, que nesta semana anunciou encontrar um planeta quatro vezes maiorque a Terra, não gosta de especular quantas estrelas possuem planetas como o nosso. Mas, quando pressionado, ele disse, nesta quinta-feira: "70% de todas as estrelas possuem planetas rochosos".
Assim, ele compara: "se você estivesse numa cozinha tentando preparar um planeta habitável, nós já sabemos que, no cosmos, todos os ingredientes estão aí".
Enquanto astrônomos na conferência estão empolgados sobre exoplanetas, Marcy é mais cético, como Jill Tarter, diretor do Instituto Seti, que busca vida inteligente monitorando transmissões eletromagnéticas.
Estes dizem que ainda há a chance de que as buscas não deem em nada, e que a formação de planetas do tamanho da terra seja muito difícil.

Primeiro exoplaneta "normal" é descoberto por satélite com participação brasileira

  • Concepção artística do exoplaneta Corot-9b, do tamanho de Júpiter, em frente a estrela similar ao Sol, na constelação Serpens Cauda, distante cerca de 1.500 anos-luz da Terra
    Concepção artística do exoplaneta Corot-9b, do tamanho de Júpiter, em frente a estrela similar ao Sol, na constelação Serpens Cauda, distante cerca de 1.500 anos-luz da Terra
Cientistas anunciaram a descoberta de um exoplaneta (fora do nosso Sistema Solar) com características similares às dos planetas próximos ao nosso. Chamado de CoRot-9b, o  planeta está bem próximo de uma estrela como o Sol, na constelação Serpens Cauda, distante cerca de 1.500 anos-luz da Terra. O planeta foi visto pelo satélite CoRoT, que é uma parceria internacional com participação de laboratórios franceses e de mais seis países europeus e do Brasil.
De acordo com o professor Sylvio Ferraz-Mello, do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, os cálculos realizados até o momento apontam que a temperatura do CoRot-9b varia de 20 graus negativos a 150 graus positivos. “Nessas temperaturas pode até existir água no estado líquido”, avalia o pesquisador, que integra a equipe de mais de 60 cientistas que atuam no satélite.
"Ele é o primeiro exoplaneta cujas propriedades podem ser profundamente estudadas", diz Claire Moutou, outro pesquisador do grupo. CoRot-9b é do tamanho de Júpiter (que possui cerca de 300 vezes a massa da Terra) e tem a órbita parecida com a de Mercúrio.
Ferraz-Melo conta que as observações tiveram início em 2008. “Na verdade, o CoRot9-b foi descoberto há cerca de dois anos, mas somente agora é que ele foi anunciado”, conta.
As informações sobre a temperatura e a forma do novo exoplaneta foram obtidas por medidas espectrográficas feitas a partir de um observatório no Chile. O trabalho no IAG, de acordo com o professor, envolve duas frentes de estudos: o tratamento das observações feitas no Chile, que permite obter medidas espectrográficas que determinam a massa do planeta, por exemplo, e o estudo dos fenômenos das marés nos planetas, que afetam sua rotação.
“O CoRot-9b não é completamente esférico. Ele é levemente ovalado”, observa o cientista, destacando que o planeta que acaba de ser anunciado demonstra um grande potencial para futuros estudos de suas características físicas e atmosféricas.
O satélite CoRoT identificou o planeta após 150 dias de observações durante o verão de 2008. Os parâmetros do planeta foram verificados no ano passado com o IAC-80 telescópio no Observatório do Teide, em Tenerife, e com outros telescópios, enquanto que as observações com o instrumento HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) no telescópio de 3,6 metros do ESO no Chile, medido a sua massa, e confirmou estabelecido que Corot-9b é de fato um exoplaneta.
O satélite CoRoT é um projeto internacional que envolve pesquisadores da França, Áustria, Bélgica, Brasil, Alemanha e Espanha. O Observatório Europeu Austral tem a participação de 14 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O anúncio da descoberta acaba de ser publicado na Revista Nature.
* Com informações da Agência USP e do Observatório Europeu do Hemisfério Sul (ESO)

Descoberta vira teoria sobre órbita planetária de cabeça para baixo


  • Concepção artística mostra o planeta Wasp 8b, que orbita em sentido oposto ao de sua estrela
    Concepção artística mostra o planeta Wasp 8b, que orbita em sentido oposto ao de sua estrela
LONDRES, 13 abril 2010 (AFP) - A teoria planetária dominante, segundo a qual os planetas sempre orbitam em torno de seu sol na mesma direção, imitando a rotação da própria estrela, foi questionada pela descoberta de novos exoplanetas (aqueles que estão fora do nosso Sistema Solar), afirmaram astrônomos esta terça-feira.
"Esta é uma verdadeira bomba que lançamos no campo dos exoplanetas", afirmou o astrônomo Amaury Triaud, do Observatório de Genebra, referindo-se aos planetas situados fora do Sistema Solar. A equipe de Triaud anunciará suas descobertas em uma reunião, esta semana, da Royal Astronomical Society (RAS), em Glasgow, Escócia.
Sua ideia revolucionária se baseia na descoberta de nove novos exoplanetas, o que eleva o registro destes a 452 desde que o primeiro foi descoberto, em 1995. No entanto, estes últimos são especialmente úteis, pois não foram descobertos indiretamente pelo cálculo da atração gravitacional que sofrem do sol, mas porque passaram diretamente na frente dele.
Estes eventos de "trânsito", raramente capturados, são muito aguardados, porque podem fornecer muito mais informações sobre o planeta. Mas, depois de comparar os novos resultados com as observações anteriores dos exoplanetas em trânsito, Triaud e seus colegas astrônomos, Andrew Cameron e o veterano caçador de exoplanetas Didier Queloz, ficaram assombrados.
Eles descobriram que seis dos 27 exoplanetas que eles vinham estudando orbitavam no sentido oposto ao de sua estrela quente.
A grande hipótese sobre a origem planetas é que eles são aglomerações de um disco de poeira e gás que orbitam uma estrela jovem e se movem na mesma direção da própria rotação da estrela.
"Os novos resultados realmente contestam o senso comum de que os planetas sempre orbitam na mesma direção em que suas estrelas giram", resumiu Cameron, da Universidade de Saint Andrews, em Edimburgo.
Os planetas em trânsito são chamados "Jupíteres quentes" por terem massa similar ou maior do que a de Júpiter. Ao contrário do nosso Júpiter, que circunda o sol a uma grande distância, eles são encontrados muito próximos a seus sóis, algumas vezes ao ponto de se queimarem.

"Cabo de guerra gravitacional"

Até agora, acreditava-se que estes planetas se formassem a partir de materiais distantes da estrela quente e que, gradativamente, migravam para uma órbita mais próxima como resultado da interação gravitacional entre a estrela e o disco proto-planetário.
Como estes Jupíteres quentes "renegados" vieram a existir também contesta esta teoria. Segundo os astrônomos, autores da descoberta, é possível que, em seu estágio inicial, estes planetas tenham sido pegos em um "cabo de guerra gravitacional" com planetas distantes ou até mesmo estrelas vizinhas.
Como resultado, o exoplaneta teria sido puxado para uma órbita inclinada ou alongada. Finalmente, devido a um fenômeno denominado "fricção das marés", ele teria sido 'enganado' pela estrela, preso em uma órbita estranha e inclinada próxima dela.
Outra questão levantada pelos especialistas é o que isto significa para as esperanças de se encontrar outra Terra: um planeta pequeno, rochoso, onde nem é muito quente, nem muito frio, mas com temperatura perfeita para que a água possa existir em estado líquido.

Assassinos

Acredita-se que o Júpiter do nosso Sistema Solar desempenhe um papel protetor, com sua imensa massa interpondo-se à colisão de cometas ou asteroides vagantes que poderiam atingir os pequenos e vulneráveis planetas rochosos próximos do sol, como o nosso.
Os novos Jupíteres quentes retrógrados, ao contrário, seriam assassinos e não guardiões. Essencialmente, seriam como uma bola gigante em um jogo de bilhar espacial, varrendo qualquer planeta menor dos arredores enquanto circulam.
"Um efeito colateral dramático deste processo é que poderia varrer qualquer outro planeta menor semelhante à Terra nestes sistemas", disse Queloz, que também trabalha no Observatório de Genebra.
As descobertas, feitas graças ao Observatório Europeu Austral, um telescópio gigantesco de 3,6 metros, instalado em La Silla, Chile, foram apresentados a publicações científicas.

terça-feira, 13 de abril de 2010


Mudanças climáticas… em Plutão


plutão











Polo norte derretendo, polo sul congelando, emissão descontrolada de metano, um poderoso gás-estufa. Tópicos para a próxima reunião sobre clima das Nações Unidas? Roteiro de 2013, a sequência de 2012? O fim dos tempos? Que nada, mudanças climáticas absolutamente normais. Em Plutão!
Plutão, o planeta-anão da discórdia entre os atrônomos que fazem a classificação dos astros no Sistema Solar, tem características bem peculiares. Bom, até por isso há tanta polêmica. Tem uma órbita muito alongada em um dos eixos, tanto que sua distância até o Sol varia de 4,4 bilhões a 7,4 bilhões de km, e muito inclinada em relação aos outros planetas do Sistema Solar. Sua órbita tem 248 anos de período e, atualmente, Plutão está se afastando do Sol. Esse movimento, combinado à alta inclinação na órbita, está promovendo diferenças no padrão de iluminação do planeta-anão. E isso tem consequências diretas sobre seu clima.
Observações na Terra entre 1998 e 2002 mostram que a massa da atmosfera dobrou neste período. Isso se deve, talvez, à evaporação de gelo de nitrogênio da superfície. Comparando as fotos tiradas pelo Hubble em 1994 com as de 2002 e 2003, astrônomos encontraram evidências de que o polo norte está mais brilhante e o polo sul escureceu. Mau tempo? Longe disso, a atmosfera de Plutão é rarefeita demais para criar nuvens. Esses efeitos são decorrentes de processos bem complexos ocorrendo na superfície.
Agora o Hubble tirou mais fotos, que estão deixando todos intrigados. Plutão se tornou significamente mais vermelho desde que o polo norte passou a ser mais iluminado. O gelo do norte está evaporando e volta a congelar no sul.
Agora o telescópio espacial apresenta as imagens mais nítidas já obtidas de Plutão. Nelas, os detalhes da superfície têm algumas centenas de quilômetros de extensão, muito pouco para estudos geológicos, mas o suficiente para testemunhar as mudanças na superfície.
As novas imagens mostram uma superfície de aparência complexa, com terrenos variando de cor desde o branco até o negro, com vários trechos de coloração alaranjada. As matizes todas parecem ser fruto da ação da radiação ultravioleta quebrando as moléculas de metano, presente na superfície de Plutão. A mais notável estrutura observada nessas novas imagens é uma mancha brilhante com uma abundância de gelo de monóxido de carbono fora do normal. A mancha já foi eleita como um dos alvos prioritários da missão New Horizons, atualmente a caminho de Plutão.
Até que a New Horizons chegue lá, em 2015, essas serão as melhores imagens disponíveis. Foram obtidas pela câmera WFPC3 e passaram por um processo de melhoramento que necessitou de 20 computadores trabalhando contínua e simultaneamente.


Astronomo  Cássio Barbosa

Outro planeta azul?


saturno_595Sempre acostumados a ver Saturno nas suas cores “verdadeiras” em amarelo e com seus anéis em destaque, essa foto causa estranheza. Trata-se ainda de Saturno, observado pelo Hubble já há quase um ano. Nessa ocasião, o plano dos anéis estava quase alinhado com nossa linha de visada, de modo que quase ficaram invisíveis.
Mas por que a cor azul?
Essa foto é na verdade a combinação de duas imagens obtidas com a câmera ACS do Hubble, mas com filtros ultravioleta. Lá em cima eu escrevi “verdadeiras” por que as cores dependem dos filtros com os quais se observa um astro. No caso, Saturno é amarelo para o olho humano, que enxerga em uma faixa bem restrita de cores (mais certo é falar em comprimentos de onda), no que chamamos de visível, mas ele pode se tornar azul no ultravioleta, ou infravermelho.
Essa combinação de imagens mostra pela primeira vez as auroras nos dois polos de Saturno ao mesmo tempo. É possível até mesmo vê-las se “levantando”, como duas coroas na alta atmosfera. As auroras em Saturno têm a mesma origem que as auroras terrestres, um intenso campo magnético sendo bombardeado por partículas carregadas eletricamente vindas do Sol. Para que as auroras ficassem tão evidentes, só mesmo usando filtros no ultravioleta.
Observando as duas coroas formadas pelas auroras, ficam evidentes suas diferenças. A aurora boreal é mais intensa que a aurora austral. Isso significa que o campo magnético de Saturno não é uniforme – e é mais intenso ao norte. Saturno tem sido monitorado desde fevereiro de 2009, pois outra chance de ver os dois polos ao mesmo tempo só daqui a 15 anos!


Astronomo  Cássio Barbosa

Dinossauros no quintal


hcg31













Já imaginou encontrar um dinossauro no seu quintal? Não digo um fóssil, mas um dinossauro vivo. Ou melhor, dois ou três! É isso que o Hubble nos mostra nesta foto. Ao menos em termos astronômicos, o que aparece aí são dinossauros preservados e bem vivos.
Como assim?
A imagem mostra um grupo de galáxias conhecido como Grupo Compacto de Hickson relativamente perto, a uns 166 milhões de anos-luz. Essas galáxias estão interagindo tão forte que encontram-se em processo de fusão. Uma atrai a outra, que atrai a primeira e no final das contas, surge uma grande galáxia elíptica. Até aí tudo bem, isso não é novidade no universo. Mas acontecia há 10 bilhões de anos!
Esse grupo (o de número 31 no catálogo de Hickson) é composto por quatro galáxias. Duas delas mais à esquerda já praticamente se fundiram e uma terceira mergulha por cima. A quarta galáxia está à direita da estrela brilhante do centro e está ligada às outras três por uma ponte de estrelas azuladas. Com a nova câmera WFPC3, a imagem é tão nítida que é possível estudar as estrelas nos aglomerados e com isso determinar a idade das galáxias e, principalmente, a distância delas. Cada aglomerado nessa imagem parece ter umas 100 mil estrelas e todas elas com, no máximo, 10 milhões de anos. Outra dica de que esse é um sistema jovem é a quantidade de gás e poeira nas galáxias.
Olhando com atenção é possível encontrar outras galáxias mais distantes que não fazem parte do grupo.
As galáxias que só agora resolveram se juntar estão fazendo isso bem aqui nas nossas vizinhanças. Situação perfeita para estudarmos os processos de fusão de galáxias que levam à formação de galáxias elípticas e nos dar pistas para entender como tudo aconteceu 10 bilhões de anos atrás.


Astronomo  Cássio Barbosa
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